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Há mais para além de nós

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   Estou quase de saída...deste meio ano de hospital...foram 230 dias, 5520 horas, 30 semanas mais coisa menos coisa....e a criança ainda não nasceu - desejosa que algum dia aconteça - e sinceramente é assustador! É o medo, a ansiedade, a histeria, o pânico e a felicidade tudo embrulhado numa bola gigante dentro do corpo e da mente. Não estou bem em mim confesso, parecendo que não tenho estado sempre muito bem protegida aqui dentro, e agora ir para a loucura que é a multidão, os carros, os barulhos e as luzes... é maravilhoso, mas não é fácil.    É sair do ninho e experimentar voar sabendo que as asas ainda podem falhar... As pernas tremem, o coração acelera e o receio toma conta de mim.    Não tenho a consciência do que são sete meses... tenho apenas a noção de que passei por todas as épocas festivas desde o Natal, Passagem de Ano, Carnaval e o meu aniversário... Quase que comia as amêndoas da Páscoa em pensamento. Hoje digo com toda a certeza ...

A magia da Música

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       A música...há tanto a dizer sobre ela, os efeitos que uma simples melodia causa, o impacto que uma letra tem nos nossos dias e a diferença que pode fazer na nossa mente. A música é alma, é aconchego, abraço, salvação, tem por hábito transportar-nos para longas maratonas de pensamentos. Já repararam que quando estamos mais deprimidos a tendência imediata é ouvir músicas também elas mais sentimentais, tristes e que nos transmitam algo semelhante aos nossos sentimentos naquela altura? "Eu hoje não estou bem e por isso vamos lá ouvir música que ainda me vai fazer chorar mais...ah coisa boa" E agora pergunto...já experimentaram fazer o contrário? Quando estiverem mais tristes contrariem essa natureza e coloquem uma música divertida, que vos lembre bons momentos, as melhores noitadas, as melhores amizades, que mexa com vocês e que vos faça ter vontade de abanar o esqueleto...nos primeiros minutos não se vão sentir confortáveis, parece que a música não se ad...

O que a doença tira, a doença dá!

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   Todas as doenças que existem tiram-nos sempre alguma coisa, umas tiram o cabelo, outras tiram a visão, e ainda outras que tiram a mobilidade ou a consciência. Outras mais ariscas que tiram tudo e mais houvesse. Nenhuma delas é boa, venha o diabo e escolha. Há ainda um outro lado, mais despercebido... o lado das oferendas! Se o conseguirmos alcançar, vamos reparar que as coisas que nos são dadas têm uma importância tão grande ou maior que as que nos foram tiradas. E são tão belas.     Para reparar nessas 'ofertas' que as doenças também nos proporcionam é necessário trabalhar a mente, ter a porta aberta e não permitir que os nossos pensamentos vejam apenas as coisas negras e negativas. Falo das pessoas que nos rodeiam, os desconhecidos que passam por nós e que sorriem sem motivo, o arrepio que sentimos quando o sol toca na nossa pele, a brisa que nos toca suavemente no rosto, a confiança de uns simples passos, a segurança de um olhar, o conforto de um abr...

A todos os 'patrões'...

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   Este post é muito especial, é direcionado e feito com todo o carinho para todos os meus ex-patrões, patrões atuais e futuros...enfim todos os que têm um cargo de tomada de decisões.     Quero agradecer a cada um de vocês que me deu um chuto no rabo após terem conhecimento da minha doença, que me viram aflita com crises e nunca me deram sequer um rolo de papel higiénico que fosse, que nunca se designaram a fazer uma chamada telefónica enquanto estava hospitalizada a perguntar como estava. Esperem estou a ser injusta, ligavam sim... mas a questionar "Quando vens trabalhar? Já sabes quando voltas?", ficava fula da vida mas encarava como 'ena pá devo ser mesmo boa colaboradora, até já sentem a minha falta' - o que não deixava de ser verdade. Nunca ouvi da vossa parte "Precisas de alguma coisa?", e falo para todos - gerentes, subgerentes, patrões e as empresas em si.     Sim, sempre entendi a parte em que têm de ter colaboradores seguro...

Imaginas te com um saco?

   Perguntam-me como é viver com um saco de cocó atrelado a mim - é literalmente isto, não vamos estar com mariquices - e eu digo que se torna o apetrecho mais normal que possam imaginar. Faz parte de mim, há quem tenha de usar lentes de contacto, depender de uma moleta ou outra coisa qualquer, a minha vida depende deste saco. Não se vê o conteúdo, não se sente qualquer odor... Olhem é bem melhor que acordar às tantas da manhã e gelar o cú na sanita nos dias de frio.     Ser portador de uma Colostomia, Ileostomia ou Urostomia é um choque, vou ser direta: poucas são as pessoas que estão preparadas para tal mudança na primeira abordagem, quer na sua vida como na sua imagem corporal. Esse é o maior choque, acordar da cirurgia e termos um novo 'brinquedo' para tomar conta...onde não fazemos a mínima ideia de onde se liga ou desliga e como tudo funciona. É tudo novo, tudo mesmo. É um aprender e outro renascer. Cada pessoa é diferente, no meu caso demorei dois dias...

Aguentas sempre mais!

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   Hoje dei por mim a ler com atenção cada mensagem que me enviaram, mesmo aquelas onde só me conheciam por publicações na minha página pessoal. Antes de conhecerem o blogue e a história...e bolas, vocês são qualquer coisa de bom!    Quando me perguntam como foi passar por tudo, sinceramente não consigo responder a isso, porque a maior parte do processo o meu inconsciente decidiu remover das memórias. Tenho apenas rasgos de pequenas lembranças...mas se me esforçar um pouco e com um toque de concentração consigo sentir de novo as dores que já tive, e sentir o prazer que me dava carregar no comando da medicação e sentir ela a deixar me nas nuvens, era mesmo um prazer, literalmente um prazer. É inexplicável. Sentia uma paz dentro de mim, ficava assim meia que a navegar na maionese, e eu gosto tanto de maionese.    Hoje quando me dizem 'acho que tu não tens noção pelo que passaste', penso nisso e realmente acho que não, não tenho. Não faço sequer ideia ...

"Dizem que os bons não nascem por acaso"

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         Ao longo de 5 anos de CU, deparei me com várias dificuldades e uma delas sempre foi o facto de as pessoas no geral e até mesmo família e amigos não entenderem todas as minhas 'queixas' e sintomas, chegarem a duvidar ou simplesmente desvalorizar, raramente me queixava, sempre me mantive no 'silêncio', primeiro porque já era da minha personalidade e depois para quê falar se as pessoas não entendem? Não era por partilhar as dores que elas desapareciam. Aprendi a ficar calada, porque para falar estavam cá os outros. E nunca era coisas bonitas.    Conheci a maldade, a arrogância, a desvalorização, o desprezo... na sua forma mais pura. As pessoas só pensam (e desculpem a expressão) no cuzinho delas, mas era o meu que tinha problemas e me dava trabalho. Como fazer os outros entender que num minuto estamos bem, e no outro estamos com dores em várias partes do corpo e com mais não sei quantos sintomas diferentes e a ir à casa de banho...