Meio ano de hospital...sinto me em casa!



   A brincar a brincar passou meio ano...meio ano de hospital com 3/4 idas a casa com duração máxima de uma semana cada - era alérgica a estar em casa e o corpo revoltava se - lá ia eu recambiada para as urgências já de mala pronta para voltar à Cirurgia II e matar saudades dos 'meus' enfermeiros lindos e a rezar para que o 'meu' quarto estivesse vago. O serviço tem 27 camas...já passei pela 1, 9, 13, 15, 23, 26 e 27, já só falta experimentar 20. Tenho preferência pelas 26 e 27, chamo-lhes suites privadas com vista para o Cristo Rei, onde só lhes falta o Wc, bem agora também já não me faz muita falta mas era bom pelo menos para tomar um duche de vez em quando ao invés de ir à casa de banho normal e sair de lá com pé de atleta. 
   Agora está se a aproximar a hora de ir embora, e é inevitável não me afeiçoar e agarrar às pessoas depois de tanto tempo, sendo elas a principal razão de hoje estar aqui a escrever este texto, e dá-me uma dorzinha no peito saber que vou sair daqui sem elas. Acordar e estar noutro lugar que não este, é mau gostarmos de estar no hospital não é? A questão é que já não vejo isto como um hospital, e isso também é mau, aqui sinto me em casa, passou tanto tempo que me habituei e estranho agora é ir para casa. Primeiro estranha se e depois entranha se, só conheci a ultima parte. 

É irónico...o lugar onde mais sofri é o lugar que mais me custa deixar, quem os manda a eles tratarem me tão bem?
   Tenho tanto para fazer lá fora, tantas coisas para concretizar, tantos objetivos para cumprir.
   Enquanto penso nisso, vou me mentalizando que tenho de sair daqui para que isso aconteça.
   Estou a começar do zero, literalmente do zero. Foi me dada uma segunda oportunidade e eu tenho de agradecer, mas se pudesse levava todos eles comigo. Cada um sem exceção não esquecendo as minhas queridas auxiliares.  
   Chega a doer, dá um frio na barriga saber que vou para o meio da loucura que é a vida lá fora quando estive tanto tempo 'protegida' neste quarto. 
Vamos lá Andreia, tu consegues!

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